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Primos no altar
Risco de doenças em filhos de casais consangüíneos é menor
do que se pensava
O casamento
entre primos de primeiro grau é considerado uma união de alto risco.
Acredita-se que os filhos de casal de primos têm alta probabilidade de
nascer com graves problemas de saúde. No que depende da ciência, o temor
pode ao menos ser amenizado. Uma pesquisa divulgada na semana passada pelo
Conselho Nacional da Sociedade de Genética, nos Estados Unidos, mostra que
o risco de primos de primeiro grau gerarem crianças com algum tipo de
irregularidade genética praticamente equivale ao de pessoas sem nenhum
grau de parentesco. Casais sem consangüinidade têm 3% de possibilidade de
ter um filho com alguma falha genética, valor que cresce para 4,7% nos
casos de casamento entre primos de primeiro grau. "Isso é o mesmo que
dizer que na imensa maioria dos casos nada de anormal acontecerá", diz o
coordenador do trabalho, professor Arno Motulsky, da Universidade de
Washington. O relatório foi baseado na revisão de seis grandes estudos
realizados entre 1965 e 2000, envolvendo milhares de nascimentos. Segundo
Motulsky, os geneticistas já sabiam que os riscos eram baixos, mas faltava
a comprovação de uma exaustiva pesquisa como essa.
O
levantamento provocou um estardalhaço nos Estados Unidos, onde o casamento
entre parentes é uma questão legal. Dos cinqüenta Estados, 24 proíbem e
sete impõem algum tipo de restrição à união entre primos de primeiro grau.
Menos de 0,1% dos casamentos de americanos é realizado entre primos. No
Brasil, cerca de 2% dos casais têm entre si esse grau de parentesco. Aqui,
o casamento consangüíneo encontra resistência por parte da Igreja
Católica. Só um bispo pode autorizá-lo. Na África e na Ásia, a união entre
primos representa até 60% do total de matrimônios. Casamento entre
parentes também era muito comum na Idade Média, quando nobres e reis
preferiam a realização de enlaces consangüíneos, para evitar a dispersão
do patrimônio da família.
Nas sociedades modernas, o risco de doenças sempre foi um entrave
para esse tipo de união. Os defensores do direito de os primos de primeiro
grau se casarem usam exemplos como o de Charles Darwin para derrubar essa
tese. Casado com sua prima Emma Wedgwood, Darwin teve dez filhos, todos
saudáveis. Segundo o médico Sérgio Pena, diretor do Núcleo de Genética
Médica, em Belo Horizonte, é preciso considerar o resultado do estudo sob
dois critérios. Para noivos que vêm de famílias sem histórico de doenças
genéticas, o risco é de fato baixo. No caso de famílias em que são comuns
casos de doenças genéticas graves, como as que levam à surdez e a
problemas neurológicos, o risco cresce muito. "O aconselhável é o casal
fazer pelo menos uma avaliação médica antes de decidir ter filhos."
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